Revista CompanySul - Ano 02 - Edição 20 - Novembro de 2008
Uma nova floresta em Interlagos
Os números impressionam: mais de 15 milhões de toneladas de lixo. Muitas pessoas que vêem o morro de 80 metros de altura ao lado da Ponte Vitorino Goulart não imagina que aquilo tudo é uma montanha de lixo.
Isso mesmo: uma montanha de lixo que foi se formando ao longo de 15 anos – entre 1980 e 1995 – período em que funcionou o Aterro Sanitário Santo Amaro no local. Neste Aterro era depositado grande parte do lixo que a cidade de São Paulo produzia diariamente. “Na época que ele foi instalado a região era diferente, não tinha esse adensamento todo. Era uma região afastada da cidade e o bairro acabou chegando até o Aterro”, conta Leonardo Tavares, Engenheiro da EcoUrbis responsável pelo local.
Segundo Leonardo, todo Aterro tem uma vida útil em relação à sua área, e quanto maior a área, mais lixo cabe nele. O Aterro Santo Amaro foi projetado para ser vertical, o que é uma tendência na cidade de São Paulo, pois é uma forma de colocar mais resíduo no mesmo espaço, e assim otimizar a vida útil dele. “A Prefeitura chegou a ter uma concepção de parque para a área, mas ela não tem vocação para parque, pois o morro que se formou tem 80 metros de altura, então é praticamente uma piramidade. Para um parque você precisa de áreas planas para utilização dos usuários. Não dá para você ter um parque num plano inclinado”.
Leonardo conta que no local está sendo feito um trabalho de plantio de árvores. “Em 2001, foi feito um trabalho de mestrado com o plantio de 2 mil árvores, nesta época ainda havia alguma geração de gases. Algumas árvores se adaptaram e outras não. Com base nesta experiência fizemos um projeto com a ESALQ e vamos plantar 23 mil novas árvores. Já foram plantadas 3 mil, vamos plantar nos próximos meses mais 18 mil. Totalizando 24 mil árvores. Se hoje com 1 mil árvores as pessoas já dizem que o local está bem arborizado, imagina com mais 23 mil. Será uma verdadeira floresta de árvores nativas”.
Atualmente funciona no local a Estação de Transbordo Santo Amaro, que é administrada pela EcoUrbis. A estação é um ponto de parada estratégico antes que o lixo coletado na região siga para o Aterro Sanitário São Mateus, na Zona Leste. “Os caminhões que fazem a coleta têm em média 19 metros cúbicos, eles descarregam tudo no Transbordo, então máquinas pegam esses resíduos colocam em carretas com 50 metros cúbicos, quase três vezes a capacidade do caminhão comum, com isso otimiza na utilização de frota, mão-de-obra e evita trânsito, pois são menos caminhões rodando na cidade”, esclarece Walter de Freitas, Superintendente de Operações da EcoUrbis.



