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Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 22 - Janeiro de 2009

Uma para dois milhões

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Na cidade de São Paulo existem dois milhões e quatrocentos mil cachorros e gatos que vivem nas ruas, passando diariamente por problemas como fome, frio e maus tratos. O governo deveria cuidar dessa situação, mas acaba por nada fazer. Esses animais então dependem da ajuda de pessoas como Soraia Jorge, 38 anos, organizadora do projeto ConscientizaCão.

Soraia abriga cachorros de rua, que depois de vacinados e castrados, são encaminhados para doação. Além disso, ela fornece os cuidados necessários e ração para os proprietários de animais que não podem pagar pela alimentação.

O Projeto, que já tem sete anos, foi criado e é mantido exclusivamente por Soraia. Algumas pessoas a ajudam, como o marido e alguns conhecidos. O projeto não possui uma sede. Os animais são abrigados temporariamente em casas de pessoas que se oferecem para cuidar enquanto eles não acham um novo dono, ou então levados para a casa de Soraia. “As pessoas me ligam, falando que encontraram  um animal atropelado, ou que ouviram dizer que está sendo maltratado, e esperam que eu os adote, mas não funciona assim”, esclarece.

Todo mês ela chega a gastar cerca de R$ 4.000,00 mil reais para cuidar dos bichinhos, entre vacinas, castrações – são de doze a quinze por mês - e alimento. “Toda doação é bem vinda. Aceito vacinas, brinquedos, cobertores, alimento. A minha única doação fixa é de 15kg de ração por mês, de uma mulher que me ajuda”. Soraia já tentou contatar fabricantes de ração ou vacinas, mas foi em vão. Ao ser indagada por que ela não cria uma ONG, ela explica que se afastaria do foco que tem agora com os animais. “Eu não poderia fazer o que faço hoje, que é vacinar cachorros que são cuidados por guardas de rua, ou dar alimento para pessoas que conheço que não podem pagar”.

O trabalho de Soraia vai muito além da doação de animais. “Doar é como enxugar gelo. Eu acho mais importante educar as pessoas sobre a importância das vacinas e, principalmente, da castração, do que sair por aí pegando cachorros de rua”, diz.

O maior problema para o projeto é a falta de dinheiro. A criadora diz que o governo deixa muito a desejar, não fornecendo nenhum incentivo. “Eu recebo por volta  de 300 e-mails por dia de pessoas me pedindo ajuda. A maioria das pessoas tem boa intenção, mas não fazem nada além disto. O que falta é conscientização”.

Soraia diz que se sente muito bem ao dar palestras sobre esse tema, preferencialmente para adultos e jovens, pois assim auxilia quem está preocupado com a situação. Segundo ela, isso é muito mais efetivo do que simplesmente adotar um animal. “Precisamos criar multiplicadores na proteção animal, castrar é muito mais efetivo como controle populacional do que matar”, explica. Os animais agradecem, o que pode ser comprovado com os rabos abanando assim que eles vêem Soraia. Acesse o site http://www.conscientizacao.com para conhecer mais sobre o projeto.

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Vereador Goulart
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