Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 22 - Janeiro de 2009
Congonhas, o aeroporto em constante evolução
O Aeroporto de Congonhas está localizado na Avenida Washington Luís s/nº, a uma distância de 8 Km do Centro de São Paulo e 10 Km do bairro de Interlagos. Na época em que foi construído o local era bastante afastado, mas com o passar dos anos – e o olha que não foram muitos – o Aeroporto foi parar dentro da cidade, ou melhor, a cidade “engoliu” o Aeroporto.
O nome do Aeroporto é uma homenagem ao Visconde de Congonhas do Campo, Lucas Antônio Monteiro de Barros (1823-1851), primeiro governante da Província de São Paulo após a Independência do Brasil. Congonhas é o nome de um tipo de erva-mate muito comum em Minas Gerais, região onde se situa Congonhas do Campo, cidade natal de Monteiro de Barros.
O Aeroporto de Congonhas foi planejado em 1936, depois que uma enchente do Rio Tietê alagou e interditou por vários meses o Aeroporto do Campo de Marte, então a construção de um novo aeroporto seria a solução para o problema. É aí começa uma história que está intimamente ligada com a nossa região que, digamos, foi a “responsável” pela escolha do local onde está instalado o Aeroporto de Congonhas.
Vários estudos foram realizados para a definição dos terrenos do novo aeroporto. Cinco áreas foram selecionadas: Vila Congonhas, Brookyln Paulista, Campo de Marte, Ibirapuera e Santo Amaro. Os terrenos de Campo de Marte, Ibirapuera e Santo Amaro foram os primeiros a serem descartados. A Companhia Brasileira de Estradas Modernas defendia a construção nas terras do Brooklyn Paulista e a Auto-Estradas S.A na Vila Congonhas, uma vez que vendia lotes ao redor da área de Congonhas e não muito distante dali surgia o bairro de Interlagos.
Para convencer o Governador Salles Oliveira pela construção na Vila Congonhas, a Auto-Estradas S.A construiu uma pista de terra de 300 metros de extensão por 70 metros de largura para testes, batizada de “Campo de Aviação da Companhia Auto-Estradas”, que foi utilizado publicamente pela primeira vez em 12 de abril de 1936. Cerca de 8 mil pessoas assistiram o evento, e pilotos consagrados testaram as condições da pista e assinaram uma declaração em que atestavam a boa localização para o novo aeroporto. Assim começava a ser concretizado o plano para construção do Aeroporto de Congonhas.
Conhecido por um breve período como “Campo da Vasp”, a partir de julho de 1936, com a construção de uma nova pista de terra, a área passou a receber companhias de aviação comercial. Em 15 de setembro do mesmo ano, o Governo do Estado adquiriu o terreno e passou a administrá-lo por meio da Secretaria da Viação e Obras, batizando-o de “Aeroporto de São Paulo”, posteriormente a DAC – Departamento de Aeronáutica Civil, daria o nome de Aeroporto de Congonhas, que hoje está cadastrado pela Infraero como Aeroporto Internacional de Congonhas / São Paulo.
Em 1981, a administração do Aeroporto passou a ser responsabilidade da Infraero. Em 1990, Congonhas tornou-se o Aeroporto mais movimentado do país. Desde então, o fluxo de passageiros e aeronaves cresceu sistematicamente, e foi necessário reformá-lo para atender o aumento da demanda e elevar sua eficiência operacional, por isso foram feitas reformas internas e externas nos últimos anos, que modernizou o terminal de passageiros, houve renovação nas pistas de pousos e decolagens, foi criado um novo estacionamento e o acesso ao Aeroporto foi alterado em janeiro de 2008 com a conclusão da passagem subterrânea que liga a Avenida Washington Luís ao acesso viário do terminal de passageiros e do estacionamento de Congonhas.
Essa obra eliminou o semáforo do cruzamento da avenida promovendo a melhoria no trânsito na região do Aeroporto. Segundo estimativa da CET - Companhia de
Engenharia de Tráfego de São Paulo, 1.800 veículos por hora passam pelo local com destino ao Centro no horário de pico.
De 2004 a 2007 a Infraero concluiu melhorias relativas à infra-estrutura do terminal de passageiros de Congonhas, foram colocadas em operação novas salas de embarque e desembarque e 12 pontes de embarque, equipamento que ainda não existia em Congonhas. Para interligar o piso térreo ao primeiro andar, foram acrescentados elevadores e escadas rolantes. As novas pontes de embarque permitem o embarque dos passageiros diretamente nas aeronaves, eliminando grande parte do tráfego de passageiros no pátio de manobras. O Sistema Viário Interno de Congonhas foi remodelado, reorganizando o fluxo de veículos que se dirigem ao Aeroporto em vias separadas. Também entrou em operação o novo edifício-garagem. Com 60 mil metros quadrados, o edifício passou a ter capacidade
para 3.400 vagas quando antes disponibilizava 1.200 vagas. O edifício tem cinco pavimentos, três dos quais subterrâneos, com 2.550 vagas cobertas e 850 vagas
descobertas.
AS PISTAS DE CONGONHAS
No final da década de 40 teve inicio as obras das três pistas previstas no projeto do Aeroporto – uma de 1.700 metros, outra de 880 metros e a terceira de 1.040 metros, mas apenas a pista principal foi concluída em 1950. Enquanto ela estava em obras foi feita uma pista provisória que anos mais tarde se tornou a segunda pista, que é mantida até hoje.
A última grande intervenção nas pistas foi em 1979 quando foi efetuada uma sobreposição de camada falsa em cima das placas de concreto. Periodicamente as pistas passam por manutenção. A cada 15 dias é feito um trabalho de desemborrachamento e tratamento asfáltico nas duas pistas. Com o uso, idade e tempo, o concreto fica quebradiço. Antes desta última intervenção ela apresentava defeitos na sua superfície, como trincas transversais e longitudinais e pontos de desagregação. Em outubro de 2006 foi efetuado na pista principal uma obra de retexturização, esta ação removeu a borracha residual deixada na pista pelos pneus das aeronaves. Em maio de 2007 teve início uma obra de recuperação da geométrica de toda a extensão da pista principal, para correção das declividades e
substituição das camadas antigas e gastas de asfalto. A pista ficou fechada por 45 dias e foi reaberta no dia 29 de junho sem que o grooving (ranhuras para escoamento d’água) fosse feito.
A preocupação com o aumento gradativo do número de passageiros e uma maior segurança nos pousos e decolagens já era discutida no final de 1950, tanto que as diretorias de engenharia do Ministério da Aeronáutica e de Viação da Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado de São Paulo elaboraram projeto de reforma de Congonhas que previa a ampliação da pista principal para 2.100 metros e a contrução de uma pista paralela com 1.400 metros no local da pista provisória, entretanto era necessário fazer uma desapropriação que não ocorreu. Assim a pista pôde ser ampliada somente para 1.865 metros e a outra foi construida com 1.145 metros.
Atualmente as pistas - principal e a auxiliar - sem contar a área de escape medem 1.640 x 45 m e 1.195 x 45 m respectivamente e serão ampliadas em mil metros, pois em novembro de 2008, o Governador José Serra e o Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab acertaram com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, os detalhes da ampliação do Aeroporto de Congonhas. Apesar da obra, foi descartada a possibilidade de aumento de vôos ou volume de passageiros no local.
O Prefeito afirmou que a ampliação “possivelmente não terá custos” para as três esferas de governo. Isso porque caberá à iniciativa privada o investimento. “Vamos fazer concessão da parte que estará embaixo do prolongamento da pista. Caberá à iniciativa privada absorver esses recursos”. A participação da iniciativa privada, segundo a Prefeitura e o Governo do Estado, será garantida por meio da exploração de lojas e estacionamentos adicionais. “Como é um aeroporto muito valorizado, é evidente que o negócio será muito disputado”, avaliou Kassab.
Para a ampliação das duas pistas, que são paralelas, será necessária a desapropriação de cerca de 2 mil imóveis, no sentido do Jabaquara, segundo a Prefeitura de São Paulo. Kassab confirmou que o custo das desapropriações deverá girar em torno de R$ 400 milhões. “Todos estão torcendo para a desapropriação. É um pedido que os moradores fazem. Ninguém quer morar ao lado do Aeroporto”.
Quando Congonhas foi construído era distante do centro, mas com o passar os anos a cidade foi crescendo ao seu redor, hoje esse crescimento desordenado é um
problema para aqueles que adquiriram imóveis ao seu redor, pois o barulho das turbinas e o risco de acidentes aéreos como o que ocorreu em julho de 2007 quando o avião da TAM atravessou a pista e se chocou com o prédio da TAM matando 199 pessoas, ajudou a desvalorizar ainda mais os imóveis da região, portanto, mesmo aqueles que querem sair não estão encontrado compradores interessados em seus imóveis.
UMA NOVA TORRE DE CONTROLE
A primeira Torre de Controle do Aeroporto de Congonhas foi construída em 1945 junto à pequena estação de passageiros. O local possuía um telhado de quatro águas em telha de cerâmica no corpo central e avarandado em laje plana ao redor. Em 1947, foi decidido que seria construído um novo Terminal de Passageiros e a pequena estação foi demolida alguns anos depois. Em 1950, apesar de inacabada a nova Torre de Controle já ostentava placas comemorativas de inauguração.
A Torre construída em 1950 persiste até os dias atuais, mas em breve será desativada, pois a Infraero iniciou, em outubro de 2008, a construção de uma nova Torre de Controle para o Aeroporto. Também está providenciando a instalação de equipamentos especiais. A previsão é que até o final de 2009 as obras e serviços sejam concluídas e entregues aos órgãos de controle do espaço aéreo.
O ÁPICE DE PASSAGEIROS EM 2006
Em 1939, mesmo ano em que foi inaugurado o Autódromo de Interlagos, embarcou e desembarcou em Congonhas 28 mil passageiros e apenas 9 anos depois, em 1949, já eram 600 mil passageiros ao ano, demonstrando que a aviação se consolidava e a cidade de São Paulo crescia de modo vertiginoso. O que em princípio era um divertimento toda vez que um avião levantava voo, aos poucos, para as famílias vizinhas ao Aeroporto, o barulho das turbinas foi se tornando um pesadelo.
Em 2006, Congonhas atingiu o seu ápice e registrou 18,8 milhões de passageiros, operando 50% acima de sua capacidade. Mudanças foram implantadas para redução deste número, e em 2007 o movimento do Aeroporto de Congonhas registrou mais de 15 milhões de passageiros, com média diária de 41.862.
De janeiro a outubro de 2008 o fluxo de passageiros diminuiu cerca de 13% em comparação com o mesmo período de 2007. O movimento caiu de 13,2 milhões
de usuários para 11,4 milhões.
O número de pousos e decolagens de aeronaves também diminuiu. O movimento caiu de 173.537 de janeiro a outubro de 2007 para 154.938 no mesmo período em 2008, representando uma queda de aproximadamente 12%.
Esses números refletem as medidas adotadas pelo setor aéreo desde 2007 quando houve restrição dos voos que faziam de Congonhas um ponto de distribuição e
diminuição no número de slots (movimentos de pousos ou decolagens).
O número de slots para a aviação comercial permanece em 30 por hora e 4 por hora para a aviação regional. O raio de cobertura de operações de pousos e decolagens em Congonhas continua sendo de 1.500 km.
| NÚMEROS DE CONGONHAS | |
| Sítio Aeroportuário Área: 1.647.000m2 | Terminal de Passageiros Capacidade/Ano: 12.000.000 Área (m2): 64.579 m2 |
| Pátio das Aeronaves Área: 77.321m2 | |
| Pista Dimensões (m): 1.640 x 45 m e 1.345 x 45 m | Estacionamento de Aeronaves Nº de Posições: 23 posições |
Fontes:
www.infraero.gov.br
Livro Aeroporto de Congonhas - Terminal de Passageiros
(Histórias da Construção)









