Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 25 - Abril de 2009
Comunidade reativa CONSEG Santo Amaro
Cada vez mais pessoas empreendedoras que pagam seus impostos, são geradoras de empregos e renda para o país. Vão à busca dos seus direitos e brigam para levar melhorias e segurança para sua comunidade, isso é a transformação de uma sociedade, pela qual o Brasil passa.
Ferramentas existem para que esses cidadãos possam agir de forma integrada e cobrar as autoridades, e uma delas é o CONSEG – Conselho Comunitário de Segurança, que algumas pessoas como a empresária Olívia A. A. M. Costa está começando a descobrir sua força.
Os CONSEGs são grupos de pessoas do mesmo bairro ou município que se reúnem para discutir, analisar, planejar e acompanhar a solução de seus problemas comunitários de segurança, desenvolver campanhas educativas e estreitar laços de entendimento e cooperação entre as várias lideranças locais. Cada Conselho é uma entidade de apoio à Polícia Estadual nas relações comunitárias. A Secretaria de Segurança Pública tem como representantes, em cada CONSEG, o Comandante da Polícia Militar da área e o Delegado de Polícia Titular do correspondente Distrito Policial.
Segundo relatório de 2007 o Estado de São Paulo contava com 860 CONSEGs, sendo 93 na capital, 75 na região da Grande São Paulo e 692 no interior. Totalizando 527 CONSEGs ativos e 333 inativos. O CONSEG Santo Amaro fazia parte das estatísticas dos inativos até que a empresária Olívia e um grupo de moradores se uniram para reativá-lo. “Esse CONSEG de Santo Amaro estava há dois anos inativo, e como eu nasci e faço parte dessa comunidade, resolvemos reativá-lo, já que a região é muito importante e nós estávamos tendo uma série de problemas de segurança e não tínhamos um fórum para falar”, relembra Olívia à frente da Presidência do CONSEG Santo Amaro.
Olívia conta que não fazia a menor ideia do que eram os CONSEGs até que foi convidada para participar de uma reunião informal do CONSEG Santo Amaro, em outubro de 2008. “Nesta reunião só estavam presentes os representantes natos da Policia Civil e Militar já que oficialmente ele estava desativado, e eu senti que faltava um representante da comunidade e dos bairros envolvidos para efetivamente termos os problemas resolvidos, já que o CONSEG é um espaço importante, pois conta com a presença direta do poder público, dos órgãos que tem o poder de resolver nossos problemas”.
A empresária explica que um grupo foi até a coordenadoria e eles informaram que era possível reativar o CONSEG Santo Amaro através de uma diretoria provisória,
uma vez que as eleições acontecem de dois em dois anos, sempre no mês de maio. “Formamos uma diretoria provisória que foi aceita pelos moradores e pelos membros natos e nós começamos a atuar. Agora estamos em processo eleitoral e existe uma vontade da comunidade para que esta diretoria permaneça”.
Com a reativação do CONSEG muitas conquistas já começam a se concretizarem. “Conseguimos trazer neste pouco tempo para nossas reuniões um promotor, representantes da Prefeitura, o pessoal da CET que não vinha e agora participa, o pessoal do conselho tutelar e a guarda civil. Estamos querendo levar muitas informações para dentro destas reuniões, pois as pessoas ainda não sabem o que é o CONSEG, queremos mostrar a elas que ali não é um espaço para se resolver um caso particular, mas os problemas da comunidade. Estamos fazendo um grande esforço para que as pessoas falem com suas associações, para que as solicitações cheguem até o CONSEG de Santo Amaro e nós possamos cobrar os resultados. O poder público é muito grande e muito lento então precisamos nos fazer lembrar. Agora, as pessoas tomam gosto de irem ao CONSEG, em nossa primeira reunião tínhamos 40 pessoas e na última já eram 80. Não é um trabalho fácil, mas eu estou bastante contente, pois as autoridade presentes às reuniões já sabem que serão cobradas”.
Olívia explica qual a razão de ter se engajado nesta causa em beneficio da sua comunidade e deixa uma mensagem que vale uma reflexão. “Nós reclamamos muito de tudo, o cidadão tem os seus direitos, mas também tem as suas obrigações e temos que mostrar que vale a pena e que dá para fazer alguma coisa mesmo com o pouco tempo que nós temos. Eu costumo expor em nossas reuniões no CONSEG que não adianta só reclamar. Ficamos tão preocupados em administrar a nossa própria vida que fazemos muito pouco nossa parte, reivindicamos muito pouco, reclamamos muito entre nós, mas não fazemos nada. E eu quero mostrar para o meu filho que vale a pena lutarmos por algo que acreditamos, e que podemos fazer alguma coisa em prol da região que moramos, e que escolhemos para trabalhar e viver. Eu fui para assistir uma reunião do CONSEG e no fim acabei me apaixonando pelo assunto e quando eu vi já estava envolvida, e é um envolvimento que tem me deixado bastante satisfeita” finaliza.



