Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 27 - Julho de 2009
Metáfora
A intuição de que estamos diante de uma metáfora começa quando, ao fazermos a leitura imediata, nos deparamos com uma impertinência, reforço ou analogia de algo que possa ser comparado.
Ao constatar a impertinência, o receptor vai aplicar à situação um modelo de metáfora. Se a aplicação for plausível teremos a metáfora, caso contrário, um lapso, uma impropriedade ou um erro de interpretação.
A metáfora é um recurso linguístico vastamente utilizado em poemas, letras musicais e no dia-a-dia, no processo de criação da comunicação.
Em Maria é uma flor, entendemos que Maria continua a denominar uma mulher e flor continua a designar um vegetal, ou seja, nem comparado nem comparante sofrem mutação ou transferência de sentido.
A música de Caetano Veloso "Alegria, Alegria" é um bom exemplo de que a metáfora é um grande recurso para rimas, comparações e beleza dos textos:
Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...
Já a hipérbole é um caso especial de metáfora, usada para passar uma impressão de grau extremo, em que o comparante caracteriza-se por ser um extremo em relação ao comparado: Ela demorou um século para chegar.
Um caso notável de hipérbole é aquele em que temos uma contradição entre comparado e comparante: Moro onde não mora ninguém - o comparado cabível seria: Moro onde quase ninguém mora.
Como vimos, a metáfora é a designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança.
Assim, temos uma vontade de ferro para aprender cada vez mais.
Até a próxima.
Edmundo Tabach
Jornalista - MTB: 35842


