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Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 27 - Julho de 2009

Um baile de vida

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Segundo dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os avanços da medicina e a melhoria nas condições gerais de vida da população tem elevado a média de vida dos brasileiros. No ano de 1940, a expectativa de vida ao nascer era de 45,5 anos, em 2008, esse número saltou para 72,7 anos, ou seja, mais 27,2 anos de vida.

De acordo com projeções do IBGE, em 2050 o país terá uma expectativa média de vida de 81,29 anos, basicamente o mesmo nível atual da Islândia que é 81,80 anos, LopesHong Kong e China que é de 82,20 anos e Japão 82,60 anos.

O índice de envelhecimento do IBGE aponta para mudanças na estrutura etária da população brasileira. Estudos realizados em 2008 mostram que atualmente para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos existem 24,7 idosos de 65 anos ou mais. Em 2050, o quadro mudará, e para cada 100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172,7 idosos.

O envelhecimento da população do Brasil preocupa, especialmente pela problemática social, mas problemas à parte muitos idosos estão aproveitando a vida e levando bastante a sério o ditado de que a vida começa aos 60 anos.

Atualmente a terceira idade passou a ser denominada melhor idade e muitas pessoas que passaram da faixa dos 60 anos estão encontrando na dança um motivo para voltar a ser feliz e melhorar a qualidade de vida. "Salientando a importância da dança para a terceira idade, além de proporcionar o bem estar emocional e social, não podemos deixar de destacar os benefícios físicos, como: melhora da mobilidade, postura, flexibilidade, força, coordenação-motora, equilíbrio, consciência corporal, noção espacial-temporal e rítmica, dentre outros. Dançar promoverá envelhecer de forma saudável e com qualidade de vida", explica da Fisioterapeuta Dra. Valéria Ferreira de Arruda.

Toda quinta-feira em nossa região é possível dançar e se divertir nos bailes promovidos na sede da SAI - Sociedade Amigos de Interlagos, pelo NIC - Núcleo Intergeracional de Convivência, da SOBEI - Sociedade Beneficente Equilíbrio de Interlagos. "Os bailes começaram por iniciativa da SOBEI que queria fazer algo para a terceira idade e deu muito certo. Toda quinta-feira tem aproximadamente 400 pessoas no baile. Temos cadastradas cerca de 500 pessoas que têm carteirinha para frequentar o baile. Para eles é um grande divertimento e totalmente gratuito", conta Antonio de Pádua Camargo Filho, Presidente da SAI.

Para Janice Ferreria da Silva, Diretora do NIC, para muitos o baile é diversão, para outros o baile é terapia. "Aqui temos uma quantidade muito maior de mulheres. Algumas não dançam, mas só o tempo que elas vêm e ficam olhando o pessoal dançar já é uma terapia para elas".

Quem ratifica o que diz Janice é a dona de casa Ivanilde Vianna de Oliveira, 73 anos. "Esta é primeira vez que venho no baile, estou observando as pessoas dançarem é uma distração para nossa mente, aqui consegui esquecer completamente os problemas do dia a dia. Isso é uma terapia".

O grande regente desta festa é José Cleanto Martins, o Tangará, 71, que organiza os bailes com paixão pelo que faz. "Para mim é ótimo organizar os bailes, porque como eu também faço parte da terceira idade eu quero a terceira idade se divertindo, com mais qualidade de vida. Nos bailes eles têm um lazer, onde brincar, dançar e se divertir. Assim eles envelhecem com qualidade de vida, não ficam doentes, nem estressados. O stress traz outras doenças, e quando eles ficam aqui se divertindo eles não ficam estressados e fazem amigos.

É bom demais da conta. Eu sou uma pessoa bastante ativa graças a Deus, porque eu faço atividade física, atividade mental, eu educo o meu corpo e a minha mente para poder ter um equilíbrio e enquanto isso eu faço com que outros idosos se divirtam e eu me divirto junto com eles, não é uma beleza?".

Diferentes bandas animam os bailes na SAI e a contribuição para pagar o show vem de alguns colaboradores. "As bandas recebem cachê para cantar e quem ajuda a pagar esses cachês é o Professor Benjamin Ribeiro da Silva do Colégio Albert Einstein, o Vereador Antonio Goulart, o Deputado Jorge Caruso e a Companygraf. Se não fossem eles, a SAI e a SOBEI esses bailes não aconteciam", explica Tangará.

Segundo Tangará está sendo organizado um campeonato de dança de salão somente para terceira idade e exclusivamente para quem tem a carteirinha da SAI. "Não pode participar gente de fora. O concurso já está lançado, e nós já estamos formando os casais. Vamos começar a fazer as eliminatórias em julho. Teremos premiações que será patrocinada pelos colaboradores".

A atmosfera de alegria dos bailes que acontecem na SAI é contagiante, para nós jovens é até um pouco difícil de acreditar que é possível ver tantas pessoas com 60, 70, 80, 90 anos rodopiando pelo salão, curtindo a vida, muitas vezes até mais do que curtiram na adolescência, pois lembrem-se que estamos falando de pessoas que nasceram nas décadas de 20, 30 e 40, onde os costumes eram muito rígidos, as mulheres casavam cedo demais e tinham que viver basicamente para o lar, conforme conta Janira da Silva Carvalho, 69 anos, divorciada há 18 anos. "Antes eu não ia a bailes porque o meu marido não deixava, já que ele não gostava de ir. Fiquei casada por 22 anos, foi muito bom, mas nos divorciamos e eu fui aproveitar a vida. Fiz aulas de dança, porque eu não sabia dançar, já que eu nunca tinha dançado na minha vida. Depois que fiz as aulas e aprendi a dançar não parei mais. Frequento todos os bailes da terceira idade, faço ginástica, faço caminhada. Dançar é bom para a mente, bom para o corpo, bom para tudo. Acabei de dançar a roda do apito e foi ótimo, muito divertido. Esses bailes da terceira idade não podem faltar para nós".

O aposentado João Eduardo, 62, é o tipo de pessoa que trabalhou a vida toda, teve pouco tempo para se divertir e agora quer curtir cada momento. Pela primeira vez no baile na SAI ele diz que está sendo uma experiência única. "Dançar em nossa idade é muito bom para o corpo, vivemos mais e faz parte da nossa idade. Muitos de nós estão começando a vida praticamente agora, minha atividade não permitia ir a esses bailes por causa do horário, mas agora que eu me aposentei, dá tempo de frequentar o baile, e eu estou adorando".

Quando vi o casal Didimo Cucuzzi, 92, e sua esposa Maria de Lurdes Lopes, 81, dançando freneticamente pelo salão confesso que me emocionei e parei para pensar: "Como eles parecem felizes, quando eu tiver a idade deles gostaria de ter pelo menos a metade dessa energia e um pouquinho dessa alegria contagiante". O casal comemorou aniversário de casamento no dia 15 de junho, no dia 16 eles disseram que tinham ido a dois bailes no mesmo dia e na tarde do dia seguinte deram uma pausa na dança no baile na SAI para conceder esta entrevista. "Saímos de um baile às 19h para ir a outro que começava às 20h. Fomos e só paramos de dançar às 23h. A dança para nós é tudo, é o que mais gostamos de fazer", conta Didimo. "A dança também nos ajuda na questão da saúde. Não temos colesterol, nem diabetes", completa Maria de Lurdes. Segundo ela, a dança também contribui para o relacionamento por isso estão juntinhos há muitos anos. Quando perguntei há quantos anos estavam casados Didimo abriu um sorriso enorme, fez um gesto com as mãos e disse: "Um montão assim, são muitos anos, tantos que não vou nem falar porque eu tenho vergonha".

Os bailes da terceira idade também aproximam os casais, que recomeçam a vida ao reencontrar a felicidade depois de terem perdido seus parceiros. Maria Nazaré Prado Laurindo, 70, e Antonio Santana Aparecido Dalori, também 70 anos, dizem que encontraram cada um sua cara metade. E as coincidências não ficam só na idade dos dois, pois eles ficaram viúvos no mesmo ano. "Estamos namorando há 4 anos, ficamos viúvos há 17 anos, no mesmo ano. Nos conhecemos num baile e firmamos namoro. Redescobrimos a alegria de viver. Eu tinha uma filha solteira e ele também. A dele casou há dois anos e a minha há 22 dias. Agora é que nós vamos aproveitar ainda mais. Filho não impedia não, dava até muita força para o nosso namoro, mas agora está muito melhor", certifica Maria Nazaré. O casal é moderninho e mora em casas separadas. "Ela fica na casa dela e eu na minha, embora eu gostaria que ela morasse comigo, mas ela tem uma casa ótima e cada um quer ter sua independência", diz Antonio.

Isaias Francisco Santos, 71, e Lídia Souza de Freitas, 54, são divorciados, se conheceram no baile na SAI há três meses e ficaram noivos no Dia dos Namorados. "Nos divertimos muito juntos, ficamos noivos no Shopping e estamos muito apaixonados", declara Isaias.

Quem pensa que os frequentadores dos bailes na SAI são somente pessoas da região se engana, pois há quem venha de longe. "Nós adoramos dançar, frequentamos bailes a semana inteira, onde tem nós vamos. Eu sou viúva, comecei a ir a bailes há 2 anos. Dançar é uma terapia de vida pra mim, não tomo remédio para nada, todas as dores que eu tinha sumiram", conta Lídia Calassio, 70 anos, moradora da Freguesia do Ó, ao lado do namorado Daniel T. Silva 66, morador do Butantã.

Para Nilza Contolim, 70, os bailes da terceira idade a ajudaram a sair da depressão. "Foi a melhor coisa que eu conheci, porque do jeito que eu estava quase morrendo de depressão assim que fiquei viúva não teria aguentado. Eu estava muito para baixo e doente. Faz 7 anos que eu fiquei viúva e há 3 anos que frequento os bailes da terceira idade. O baile é uma terapia para mim. Se não fosse isso eu acho que eu não estava viva hoje".

Os bailes na SAI acontecem às quintas-feiras, exceto feriados, das 13h às 17h. É necessário ser cadastrado na SAI para participar.
Mais informações através do telefone (11) 5666-5118.

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Vereador Goulart
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