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Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 30 - Outubro de 2009

As várias faces de São Paulo

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Em 1872, a cidade de São Paulo contava com pouco mais de 30 mil habitantes. Foi neste ano que o censo adotou a primeira divisão territorial do município e, como a Igreja Católica tinha grande poder de infl uência, a cidade foi divida em 9 “parochias”: N.S. de Assumpção da Sé; N.S. da Conceição de Santa Ephigenia; N.S. da Consolação de S. João Baptista; Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Braz; N.S. da Conceição dos Guarulhos; N. S. da Expectação do Ó; N. S. da Penha de França; N. S. da Conceição de São Bernardo; N. S. do Desterro de Juquery.

Em 1890, a cidade dobrou de tamanho e já abrigava cerca de 65 mil habitantes. O recenseamento mostrou que a população paulistana passara a crescer a taxas elevadas. Por isso, no censo de 1890, foram criados os “districtos”: Norte e Sul.

Os anos se passaram e a cidade de São Paulo cresceu de maneira espantosa: são mais de 11 milhões de pessoas vivendo em uma área de 1.509 km². Hoje a cidade está dividida em 97 distritos, incluindo São Paulo, que estão distribuídos em 31 Subprefeituras. Essa última divisão territorial aconteceu em 2003.

As Subprefeituras estão ofi cialmente agrupadas em nove regiões (ou “zonas”), levando em conta a posição geográfi ca e a história da ocupação. Essas regiões são apenas utilizadas em órgãos técnicos e do governo, não sendo identifi cadas por qualquer comunicação visual na cidade.

A Prefeitura de São Paulo reconhece 10 zonas geográficas, utilizadas para referência de localização na cidade. Essas zonas foram estabelecidas dividindo a cidade radialmente a partir do centro, e cada uma delas é representada por uma cor diferente nos ônibus urbanos e na cor das placas de rua, cores estas que começaram a ser adotadas a partir de 2007.

Deve-se notar, contudo, que o único critério usado para essa divisão são os limites geográfi cos (avenidas, rios, etc.), não tendo relação alguma com as divisões administrativas. Pode acontecer, inclusive, de um mesmo distrito estar parte em uma zona, parte em outra. Essas zonas são as seguintes:

Centro Histórico - representado pela cor branca, compreende os distritos da Sé e da República.
Centro Expandido - representado pela cor cinza, forma um anel ao redor do centro histórico.

Área 1 (Noroeste) - representada pela cor verde clara, compreendida entre a avenida Inajar de Souza, a Marginal Tietê e o limite com os municípios de Santana de Parnaíba, Caieiras, Cajamar e Osasco. Nesta região, estão localizados distritos como Pirituba, Perus e Brasilândia.

Área 2 (Norte) - representada pela cor azul escura, compreendida entre a avenida Inajar de Souza, a Marginal Tietê e o limite com os municípios de Caieiras, Mairiporã e Guarulhos. Alguns pontos importantes desta região são a Rodoviária do Tietê, o Horto Florestal, o Sambódromo do Anhembi, o pavilhão do Anhembi e a Serra da Cantareira.

Área 3 (Nordeste) - representada pela cor amarela, compreendida entre a Marginal Tietê, a Radial Leste, a avenida Salim Farah Maluf e os limites com os municípios de Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba. Nesta região, está localizada a USP Leste, além de bairros como Penha e São Miguel Paulista.

Área 4 (Leste) - representada pela cor vermelha, compreendida entre a Radial Leste, a avenida Salim Farah Maluf, a avenida Professor Luís Inácio de Anhaia Melo, a avenida Sapopemba e o limite com os municípios de Itaquaquecetuba, Poá, Santo André e Mauá. Nesta região, está localizado o Parque do Carmo, além de bairros como Jardim Anália Franco e Cidade Tiradentes.

Área 5 (Sudeste) - representada pela cor verde escura, compreendida entre a avenida Professor Luís Inácio de Anhaia Melo, avenida Sapopemba, o Complexo Viário Maria Maluf, a avenida das Juntas Provisórias, a Rodovia dos Imigrantes e o limite com os municípios de São Caetano do Sul e Santo André. Nesta região, estão localizados o Jardim Zoológico, o Jardim Botânico e o Parque do Estado.

Área 6 (Sul) - representada pela cor azul clara, compreendida entre a Rodovia dos Imigrantes, as avenidas Pres. Tancredo Neves, dos Bandeirantes, Afonso D’Escragnole Taunay, Santo Amaro, João Dias, a Estrada de Guarapiranga e o limite com os municípios de Diadema, São Bernardo do Campo, Itanhaém, São Vicente, Embu Guaçu e Juquitiba. É a zona de maior área da cidade, e em seus limites estão localizados o Autódromo de Interlagos e as Represas Billings e Guarapiranga.

Área 7 (Sudoeste) - representada pela cor vinho, compreendida entre a Marginal Pinheiros, as avenidas Santo Amaro e João Dias, a Estrada de Itapecerica, a Estrada de Guarapiranga e o limite com o município de Itapecerica da Serra. Nesta região, está localizado o Centro Empresarial Nações Unidas e a região da avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, além de bairros como Capão Redondo e Jardim Ângela.

Área 8 (Oeste) - representada pela cor laranja, compreendida entre a Marginal Pinheiros, a Estrada de Itapecerica e o limite com os municípios de Cotia, Osasco e Taboão da Serra. Nesta região, está localizada a Cidade Universitária, além dos distritos do Morumbi e Butantã.

Como vimos, devido ao crescimento populacional vertiginoso ocorrido nos últimos anos, foi necessário dividir a cidade de São Paulo. Primeiro foram distritos, depois zonas, e as Subprefeituras, mas, ainda hoje, vemos uma divisão desigual da cidade de São Paulo. Por isso gostaríamos de chamar a atenção especifi camente para a Zona Sul, pois esta região é a maior de todas.

É até difícil de acreditar, mas aZona Sul é tanto Parelheiros como Campo Limpo ou Jabaquara, então vemos que atualmente dar a Zona Sul como referência não serve mais para localização, pois, para se deslocar entre um ponto e outro, pode-se levar até 3h.

A Zona Sul de São Paulo engloba as Subprefeituras da Capela do Socorro, Cidade Ademar, Parelheiros, M’Boi Mirim e Campo Limpo. De acordo com o censo de 2000, os distritos abrangidos por essas Subprefeituras somam uma população estimada em 2.143.000 habitantes e abriga desde os bairros mais luxuosos da cidade de São Paulo até bairros extremamentes carentes. É a região mais populosa do município.

Do luxo ao lixo

Em novembro de 1966, a capital se alvoroçou com a inauguração do Shopping Iguatemi, pois era o primeiro shopping a ser construído na cidade. Naquela época, foi difícil convencer os lojistas instalados nas ruas a abrirem filiais em um espaço fechado. Por isso, a maioria dos comerciantes entraram numa disputa para ficar o mais perto possível da entrada. Em pouco tempo, porém, o Shopping Iguatemi, localizado na Zona Sul, transformou-se em sucesso de público e vendas, e hoje é o espaço comercial mais caro de São Paulo. Uma pesquisa recente, realizada pela consultoria suíça Location Service Research, coloca o Shopping Iguatemi na 35ª posição de metro mais caro do planeta.

Hoje, o metro quadrado no Iguatemi chega a custar mais de R$ 4 mil anualmente aos locatários. O local recebe aproximadamente 48 mil pessoas diariamente, sendo que cerca de 40% dos frequentadores do Iguatemi têm renda mensal de, no mínimo, R$ 20 mil.

Mas a cidade cresceu e começou a avançar para as áreas mais periféricas. Uma análise da distribuição espacial da população paulistana nos últimos 50 anos indica que houve uma inversão no padrão vigente até a década de 70, quando eram os distritos da porção mais central do município aqueles que apresentavam maior população absoluta.

O crescimento maior nas áreas periféricas, que começou a se desenhar a partir da década de 70, provocou uma alteração nessa distribuição. Os distritos do extremo sul, leste e norte do município passaram a concentrar os maiores contingentes demográfi cos, com sérias implicações de ordem socioambiental.

A presença de grandes contingentes populacionais nas áreas periféricas indica que houve um avanço da área urbanizada sobre zonas frágeis do ponto de vista ambiental, sejam aquelas situadas na região dos mananciais Guarapiranga e Billings, ao sul do município, sejam as localizadas ao norte, nas encostas da Serra da Cantareira. São áreas em que a maioria da população vive em precárias condições de moradia, saneamento, transportes e acesso a serviços públicos.

O distrito de Grajaú, localizado ao sul, entre as duas Represas, é o mais populoso da capital, com mais de 300 mil habitantes, contingente comparável à população de uma cidade de médio porte. E como não bastasse, a infraestrutura local é bastante precária. No extremo sul do Grajaú, surgiu, em 1968, o bairro Cantinho do Céu, fruto de uma enorme ocupação irregular em área de proteção de mananciais e que hoje já conta com mais de 50 mil habitantes. No bairro, existem lojas para abastecer a população local, cujos frequentadores ganham, na maioria das vezes, no máximo um salário mínimo.

Isso demonstra que a Zona Sul é uma região de muitos contrastes: ao mesmo tempo que tem o perímetro mais valorizado da cidade, é também uma região completamente adensada, totalmente populosa que abriga bairros extremamente carentes. Então, como se localizar dentro de uma Zona Sul tão cheia de contrastes?

Teremos na Zona Sul o Shopping da Nova 25 de Março e a ampliação do Shopping SP Market.

O bairro do Jardim Campo Grande e Jardim Marajoara terão o maior número de residências de classe média e alta do Brasil. A Avenida Luís Carlos Berrini é uma das que mais se modifi caram nos últimos 20 anos. Originalmente a região, próxima à Marginal Pinheiros, era pouco habitada. Hoje, é o endereço dos edifícios mais modernos da cidade, reunindo algumas das principais empresas, hotéis e centros de convenções de São Paulo. E esta mesma Berrini está se aproximando cada vez mais da Marginal Pinheiros, onde diversos prédios comerciais e residenciais vem sendo construídos a todo vapor, e em breve será um corredor comercial único na Zona Sul.

Mas de qual Zona Sul estamos falando? Aquela que tem o metro quadrado mais caro de São Paulo ou a Zona Sul do Cantinho do Céu? Como se localizar nesta enorme região chamada Zona Sul, uma vez que saímos de Parelheiros e quase chegamos no centro de São Paulo, e ainda estamos dentro da Zona Sul?

Atualmente, para localizar nosso bairro, nossos comércios e nossa região, precisamos dizer que estamos no extremo Sul da Zona Sul. Então por que não fazer a divisão da Zona Sul em novas áreas e ao invés de dizer “eu estou aqui no Extremo Sul da Zona Sul”, dizer “eu estou aqui na Zona Sul 1, na Zona Sul 2”, etc. É preciso dividir a cidade de forma coerente com o seu crescimento, e assim como aconteceu em 1872, quando a cidade foi dividida em 9 “parochias, quem sabe esteja na hora de rever a divisão da cidade de São Paulo mais uma vez?

Fontes:
www.prefeitura.sp.gov.br
www.sempla.prefeitura.sp.gov.br
www.portaldoluxo.com.br
www.wikipedia.org

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Vereador Goulart
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