Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 30 - Outubro de 2009
O Problema é Sempre Seu
Vejo com um pesar a quantidade de pessoas que só sabem reclamar da vida: “Sabe, é que meu marido é uma pessoa muito complicada, ou é que minha esposa não me entende, ou é que meu chefe nunca está satisfeito, ou é que meu colaborador não faz o que eu peço, ou meu sócio mudou muito, ou é que o governo não resolve o que tem que resolver”. Enfi m, todos os dias encontro pessoas que chegam até mim para reclamar de alguém como se o problema dela fosse sempre o outro.
Os antigos hebreus diziam que doença é você andar em círculo, é não sair do lugar, viver patinando. Veja se você não conhece pessoas assim, que você encontra hoje e ela reclama exatamente das mesmas pessoas que ela reclamava há seis meses. Pessoas assim estão patinando na vida, não conseguem colocar a vida em movimento e não vão conseguir nunca se não despertarem desse ciclo vicioso que se encontram.
Seria muito bom se os nossos problemas fossem sempre do outro, fossem sempre externos, mas não são. Nossos problemas são internos, são nossos e de mais ninguém. Perceba que a tendência natural de todos aqueles que se posicionam frente ao problema como sendo do outro é o de não fazer nada para resolvê-lo, como se dissessem: “Se o problema é ele, ele é que mude, ele é que resolva”. Quando na verdade, o foco deveria ser diferente. A pessoa deveria se perguntar: “Por que será que meu par está se distanciando de mim? Onde eu estou errando? O que eu estou fazendo para gerar essa reação nele?”.
De uma vez por todas, precisamos aprender que na vida você só consegue resolver um problema quando o assume como sendo seu. Enquanto achar que o problema é do outro, jamais irá resolvêlo. Mas se você assume o problema como seu, você descruza os braços e se torna capaz de tomar as rédeas da situação. É nesse momento que você muda a sua atitude e busca soluções.
Lembre-se de que todo mundo muda, incluindo nós mesmos. Não há nenhum problema nisso. Passamos a ter problemas quando as mudanças ocorrem só de um lado, quando uma das partes fica estacionada, focada apenas em seu eu, sem uma visão coletiva, sem pensar na evolução e no desenvolvimento do bem comum. É nessa hora que a distância aumenta de tal forma que muitos relacionamentos acabam de vez, pois as pessoas tomam caminhos paralelos, ou seja, nunca mais se encontram.
Diante dos problemas que a vida nos apresenta, temos que fazer escolhas: ficar com espírito de vítima a vida inteira, querendo que o mundo nos reconheça como coitadinhos, ou então lutar para fazer a coisa ser diferente. É uma questão de escolha. Escolha sempre com consciência o que você irá fazer nos momentos que a vida fi ca difícil.
Anderson Cavalcante
É empresário, palestrante e escritor do livro "As coisas boas da vida".Envie e-mails para: coisasboas@editoragente.com.br


