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Revista CompanySul - Ano 03 - Edição 31 - Março de 2010

Tristeza sem fim

Recebo diariamente e-mails de mulheres que se queixam do quanto a vida delas está desgastante, pesada, sem graça. Acabou chamando minha atenção o fato que muitas delas se dizem bem casadas e bem empregadas. Então, comecei a me questionar qual é a lógica disso? Como pode algumas mulheres viverem ao lado do homem que desejaram, terem construído uma família que curtem muito, profissionalmente realizadas, e mesmo assim estarem angustiadas?

Busquei entender o que acontece conversando com algumas amigas e lendo sobre os últimos estudos, e descobri que o problema está na própria mulher. Isso mesmo, não é algo externo, mas sim uma questão interior. A mulher possui uma auto-cobrança muito forte, ela se exige muito em tudo a que se propõe fazer. Quer ser a melhor profissional na empresa e de preferência se dar bem com todo mundo, quer ser a mulher que cuida dos filhos e estar inteiramente presente em todas as fases do crescimento, deseja dar toda atenção e carinho para o marido buscando cumprir papéis além do papel de esposa, como o de amiga, confidente, irmã e amante.

A mulher procura dar conta dos afazeres domésticos, sentindo-se culpada quando alguma coisa foge do controle, não se sente bem enquanto não vê todos os parentes bem, quer ser uma amiga presente... Enfim, por isso nunca sobra tempo para cuidar de si mesma, é triste dizer, colocando-se por último sempre.

Pesquisas mostram que nunca a mulher teve tanto apoio do marido, família e da tecnologia para lidar com todas essas responsabilidades como ultimamente, só que essas mesmas pesquisas mostram que nunca as mulheres estiveram tão frustradas. Isso ocorre porque a expectativa da mulher com relação a si própria é muito alta, tão alta que provavelmente jamais ira atingir. Uma necessidade que é interior e que só causa tristeza.

A mulher deve parar por um instante para repensar sobre suas expectativas e começar a perceber que o filho não a quer por perto 24 horas por dia, mas deseja que ela esteja nos momentos essenciais de forma intensa e profunda. Seu marido não a quer paparicando-o todo, ele quer uma mulher que nos momentos que a vida fica difícil possa deitar no colo e dividir essa dor e receber um reforço de fé para seguir em frente. Quer olhar para você e ver de volta um olhar de cumplicidade e amor mesmo ela não estando o tempo que gostaria ao lado dele. Então, curta todas as oportunidades que a vida dá para ser feliz e ponha de uma vez por todas fim nessa tristeza. Curta intensamente todos os momentos preciosos que a vida proporcionar.

Andersson Cavalcante escreve para a região sul de são paulo

Anderson Cavalcante

É empresário, palestrante e escritor do livro "As coisas boas da vida".
Envie e-mails para: coisasboas@editoragente.com.br

 

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